Produção Leiteira

O setor leiteiro nacional tem experimentado um expansivo crescimento nos últimos anos. Um exemplo disso é a valorização de animais e material genético da raça gir e o crescente ritmo das exportações de produtos lácteos, que em 2005 alcançou um montante de US 130 milhões, 37% superior a 2004, segundo dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

A importância da cadeia produtiva do leite não passa despercebida entre criadores, associações de raça e entidades de pesquisa. Por este motivo, conhecer a realidade do rebanho e a eficiência leiteira do zebu brasileiro tem sido o principal foco das duas edições da Prova Brasileira de Produção de Leite das Raças Zebuínas, desenvolvidas pela ABCZ (Associação Brasileira dos Criadores de Zebu), no Centro Tecnológico de Pesquisa, da Universidade em Uberaba - MG.

A prova, cuja primeira edição foi iniciada em junho de 2003, tem como objetivo central o melhoramento genético das raças zebuínas de aptidão leiteira, através da identificação precoce de futuras reprodutoras. "Ela visa não só a seleção, como também a avaliação de desempenho e características de produção Láctea desta matrizes, que durante o teste são submetidas às mesmas condições de manejo e ambiente físico",  explica Carlos Henrique Cavallari Machado, superintendente técnico-adjunto de Melhoramento genético da ABCZ e também professor na FAZU.

A 2º Prova Brasileira de Produção de Leite das Raças Zebuínas teve início em junho de 2004 e deve ser concluída até o início de 2007. Nesta versão, o projeto conta com a parceria da Matsuda Sementes e Nutrição Animal, empresa líder no mercado de forrageiras do País e a área, de 44 hectares, esta sob a gerência de Fábio Melo Borges, diretor financeiro da FUNDAGRI - mantenedora da FAZU. No total, 19 animais da raça gir estão sendo avaliadas atualmente. Assim como na edição anterior, os resultados trarão informações sobre a produção de leite e as avaliações de mensuração dos animais.

Fábio Borges, além de reconhecer a importância da prova para o melhoramento racial e para o plantel já que o animal com produção superior a 2,5 mil litros em todo o período de lactação recebe certificado de aptidão leiteira, como exemplar testado, o que naturalmente pesa no valor comercial do rebanho; ressalta os benefícios acadêmicos. A FAZU, diz ele, surgiu 30 anos atrás justamente visando a preencher uma lacuna, uma necessidade do mercado, diante do futuro vislumbrado para a zebuinocultura. "Assim, continuamos muito voltados à pesquisa do agronegócio e a garantir o contato dos nossos alunos com a realidade que os espera fora da faculdade", completa Fábio, que destaca ainda a participação da MATSUDA como grande parceira da iniciativa.

O médico-veterinário da Matsuda em São Sebastião do Paraíso - MG, Diego Magri Barnardes também vê vantagens ao Departamento técnico da empresa estar em contato com instituições de ensino e pesquisa. "Assim, cada vez mais enriquecemos nossos conhecimentos", ressalta em nome da empresa que foi responsável pelo fornecimento de ração concentrada e suplemento mineral para os animais em teste.

Para a 1º edição foram inscritas 34 novilhas com idade de até 30 meses, todas filhas de matrizes com produção leiteira oficial superior a 2500 kg de leite em até 305 dias de lactação.

A prova - Os animais foram selecionados pelos próprios criadores, tendo como pré-requisito, que o animal estivesse vazio e inscrito no registro genealógico definitivo da associação. No total, 28 animais da raça gir e 4 animais da raça gir mocha, pertencentes a 21 renomados criatórios, participaram da primeira avaliação.

Nesta prova os animais participantes passam por um período de adaptação de quatro meses. Durante este período, em parceria com o Hospital Veterinário de Uberaba, são realizados todos os procedimentos sanitários necessários para a boa condução da prova, sendo ainda, realizado no inicio da prova um exame de toque retal para confirmação de que todos os animais estavam vazios.

Os zebuínos são mantidos em pastejo rotacionado, com suplementação de volumoso (pré-secado), ração farelada 18% PB e sal mineral, até o final do período da seca. Após este período, os animais são suplementados em piquetes rotacionados, toda essa rotina alimentar é coordenada pelo zootecnista Leonardo Fernandes, pesquisador da Epamig e professor na FAZU.

Mensalmente são coletadas por um técnico da ABCZ, informações sobre o desenvolvimento corporal com mensurações de comprimento do corpo e as distâncias ílio - ílio e ílio - ísquio, e, além disso, foram realizadas pesagens em período de 28 em 28 dias.

Após o período de adaptação, os animais são sincronizados sempre sob a coordenação do Hospital Veterinário de Uberaba, a fim de realizar inseminação em tempo fixo, garantindo assim que os partos fossem em épocas aproximadas, facilitando o controle leiteiro e avaliações zootécnicas dos animais.

A sincronização e a inseminação artificial são realizadas até duas vezes por animal. Na inseminação são utilizados apenas sêmen de touros com PTA positivo nas avaliações genéticas da ABCZ / UNESP e/ou da ABCGIL / EMBRAPA. Na primeira edição da prova, após 45 dias, foi realizado o toque retal para verificação de prenhez, sendo confirmados 22 animais, ou seja, 75% de prenhez. Em julho de 2004, tiveram inicio os partos, e em seguida, o controle leiteiro dos animais paridos. O controle leiteiro é realizado por um técnico da ABCZ, Rodrigo Macedo, em períodos de 28 dias, neste momento também são feitas as coletas de informações de desenvolvimento e pesagem.

A primeira edição da prova foi finalizada em agosto de 2005. Após o encerramento das lactações, todas as informações coletadas nestes três anos entre as características fenotipicas coletadas e produção de leite nas raças zebuínas, e ainda sua intensidade.

A Prova Brasileira de Produção de leite das Raças Zebuínas faz parte de um projeto maior, que é o Programa Leite do Zebu, que tem como parceiros a Assogir e Epamig.