Tecnologia

 A pecuária brasileira continua sendo um setor muito importante para a economia do país. Problemas de rentabilidade econômica, sanitários e principalmente a concorrência com outras culturas, não foram suficientes para desmotivar a tradição de crescimento e do potencial deste mercado. O setor continua exportando seus produtos e derivados para vários países, a produtividade também melhorou, pois a concorrência com outros cultivos forçou a busca por tecnologias que promovessem a maior rentabilidade. Isso vem ocorrendo porque cada vez mais, o uso de tecnologias, tem sido uma constância nas propriedades rurais em vários Estados brasileiros.

Para atender a demanda de tecnologias que melhorem a rentabilidade da pecuária, as empresas que atuam no setor tiveram que investir em novas alternativas e técnicas para o segmento. Empresas de insumos, como as de sementes de forrageiras, não podem mais se preocupar somente com a pureza e germinação de seus produtos, qualidades estas que são no mínimo uma obrigação para seguirem no mercado.

As sementes continuam sendo o melhor veículo de transferência de tecnologia ao produtor. Por isso a importância de se agregar o máximo de conhecimentos e técnicas a este produto. Em vários países, e em breve no mercado brasileiro, a exigência de controle fitossanitário das sementes de forrageiras, será um requisito obrigatório para sua comercialização.

As Instruções Normativas no 37 e no 38, de 17 de novembro de 2006, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, aprovou as normas técnicas que regulamenta a Permissão de Trânsito de Vegetal (PTV), onde cita a exigência de vistoria em campos de produção e de análise em lotes de sementes, para diversas pragas quarentenárias.

Tratamento de Sementes

Para o engenheiro agrônomo Alberto Takashi, coordenador técnico do Departamento de Sementes do Grupo Matsuda, "as sementes são veículos de transferência de tecnologias, porém, podem também ser transmissores de ervas daninhas, insetos, fungos, bactérias e nematóides. O tratamento de sementes, além de poder evitar este risco de transmissão, melhora as condições de germinação das mesmas". O técnico explica que "em forrageiras, o tratamento das sementes inicia-se com a limpeza assim que chega na unidade de beneficiamento proveniente dos campos de produção. A retirada das impurezas ocorre em diversos equipamentos por diferença de tamanho, de peso e também de cor".

Após essa limpeza, ainda segundo Takashi, "as sementes podem ser escarificadas por um processo mecânico, semelhante ao brunimento do arroz, ou pelo processo químico, utilizando-se o ácido sulfúrico. Em ambos os tratamentos ocorrem a retirada do tegumento das sementes (gluma e pálea), o que facilita a absorção de água e oxigênio pelas sementes, que pode melhorar e uniformizar a sua germinação. Outros tratamentos disponíveis para as sementes de forrageiras são os diversos tipos de revestimentos e proteção, que também melhoram as condições de germinação".

Proteção e Revestimento

Para a proteção das sementes é utilizado fungicida e inseticida, que protegem respectivamente, contra os fungos e insetos existentes na área de plantio. O técnico da Matsuda esclarece que os fungicidas (Tiram e Carbendazim) utilizados no tratamento "protegem as sementes e suas estruturas durante a germinação contra fungos dos gêneros Fusarium, Colletotrichum, Rhizoctonia e outros. O inseticida (Fipronil) protege, por até 30 dias aproximadamente, após a germinação, contra os seguintes insetos: formigas cortadeiras, cupins, grilos e gafanhotos. Para a eficiência desses produtos nas sementes, é importante que o tratamento seja bem feito e a dosagem utilizada seja sempre de acordo coma recomendação técnica. Esses dois produtos podem ser agregados aos revestimentos das sementes, de forma individual ou associados".

Os revestimentos disponíveis no mercado para as sementes de forrageiras são: Peliculização, Incrustação e Peletização (ver quadro). O uso de sementes tratadas para o estabelecimento de pastagens apresenta diversos benefícios que são convertidos em economia, gerando vantagens diretas e indiretas para os animais. Alberto Takashi alerta que, "quando optamos por sementes mais baratas e de menor qualidade, corremos vários riscos que comprometem diretamente os negócios. Um exemplo é a introdução de ervas daninhas nas pastagens, cujo custo de controle pode exceder o preço do hectare. Sementes de alta pureza evitam esse risco, além de propiciar uma economia no frete".

O film-coating utilizado na peliculização, que é a aplicação de um polímero nas sementes, apresenta a vantagem de ser uma película semipermeável, que impede a absorção de água pelas sementes, quando a disponibilidade for pequena no solo, como acontece em caso de chuvisqueiros. Isso evita que a semente inicie a germinação e morra por falta de umidade. O polímero é útil também em caso de excesso de chuva, onde cerca de 4% de sementes morrem durante a germinação, porque a quantidade de água absorvida é alta e muito rápida, deixando as células túrgidas, que podem romper a parede celular, provocando a morte das sementes. Neste caso o polímero regula a velocidade e a quantidade de água absorvida, evitando assim o problema.

Além disso, devido à boa aderência do produto às sementes, melhora a eficiência do fungicida e do inseticida, evitando inclusive que estes produtos contaminem o solo e o meio-ambiente em caso de muita chuva. Outra vantagem do polímero em se tratando de sementes de forrageiras, é a eliminação do pó, facilitando o manuseio e o plantio.

Na incrustação a vantagem é o aumento do tamanho e do peso das sementes, que facilita o plantio, principalmente na integração lavoura-pecuária, onde são utilizados plantadeiras de alta precisão. Outra vantagem ainda é a ação do inseticida e do fungicida, que melhora devido à boa aderência desses produtos às sementes, além do controle de absorção de água, em caso de pouca ou muita disponibilidade no solo, pelas sementes.

Esta última característica diferencia as sementes peliculizadas e incrustadas das demais sementes disponíveis no mercado, pois podem ser chamadas de "Sementes Inteligentes". Somente quando houver condições normais de umidade no solo é que estas sementes iniciarão a germinação.

Diferencial

Segundo Alberto Takashi, a tecnologia de tratamento de sementes "já é utilizada há vários anos, inclusive no mercado de forrageiras. Outras tecnologias estão disponíveis mais recentemente em forrageiras, porém muito utilizadas em sementes de culturas como hortaliças, tabaco e florestais, como é o caso da peliculização e incrustação". Ele afirma que "um diferencial nesse mercado de tratamento é a experiência das empresas que executam esses tratamentos nas sementes. Uma empresa com know-how no assunto pode ter disponível os melhores equipamentos, as melhores matérias primas, que mesmo assim dificilmente poderá assegurar um bom tratamento das sementes". Para o técnico da Matsuda, "a melhor receita é a associação de duas empresas com vasta experiência, conhecimento de mercado e de novas tecnologias. As empresas produtoras e comercializadoras de sementes não possuem as técnicas de tratamento, mas possuem o conhecimento do mercado. Por outro lado uma empresa que trata as sementes possui as técnicas e conhecimentos, mas não atua na comercialização. A associação dessas duas empresas proporciona e garante a manutenção da qualidade das sementes e do tratamento realizado, beneficiando diretamente os produtores".

O uso de sementes tratadas permite ao produtor rural o acesso às tecnologias de ponta, que poderão ser convertidas em pastagens de boa qualidade nutricional e de grande produção de forragem. Alberto Takashi analisa que, em conseqüência, "essas pastagens, irão proporcionar uma maior produção animal, seja ela de carne, leite ou bezerros, com uma boa rentabilidade, diminuindo os custos de produção e aumentando seus ganhos na propriedade. Há muitas diferenças entre 'custos' e 'investimentos', dependendo principalmente da visão do empreendedor. Por essa razão, as sementes tratadas, fazem parte de um investimento seguro com grande possibilidade de um retorno seguro. O pior é aquele investimento que não funciona e o prejuízo é certo. É o que ocorre muitas vezes quando se adquire sementes baratas, cujos resultados, é no mínimo duvidoso e que podem gerar sérios problemas".

Revestimentos disponíveis

Peliculização: trata-se de um revestimento feito às sementes com um film-coating (polímero), que possui como principal característica a sua semipermeabilidade em água. Possui ainda excelente capacidade de aderência às sementes, melhorando a eficiência dos produtos utilizados em associação nos tratamentos.

Incrustação: é um revestimento que aumenta de 1 a 5 vezes o peso das sementes, constituído de materiais que não prejudicam a germinação, podendo ser acrescidas de vários nutrientes, além do polímero, fungicida e inseticida.

Peletização: o processo é idêntico à incrustação, com a diferença que o aumento de peso é de 15 a 200 vezes em relação ao peso das sementes. Esse processo não é utilizado atualmente em sementes de forrageiras, é mais comum em hortaliças, tabaco e florestais.