Plantel de nelore da Fazenda Santa Inês - MG

Nutrição

 No período de transição das águas para a seca, é muito importante não deixar cair a qualidade nutricional que os animais estejam ingerindo, mesmo que as pastagens ainda estejam verdes, pois o processo fisiológico de perda de nutrientes já começou. O alerta é do Médico-veterinário Diego Magri Bernardes, um dos técnicos do Grupo Matsuda, Divisão Minas Gerais, sediada em São Sebastião do Paraíso (MG). Segundo ele, é recomendado o uso de suplemento mineral que contenham proteínas, mesmo que em quantidades pequenas, pois isso trará benefício para a fermentação ruminal, fazendo com que o animal otimize o seu desempenho nessa fase.

Tem sido comum no campo, criadores dizerem que durante o período das águas, os animais não necessitam tanto de minerais, por acharem que as pastagens estão em sua melhor fase, com maior oferta de minerais, proteínas, energia e por estarem volumosas e verdes, suprindo, dessa forma, todas as exigências dos animais. Técnicos da área, entretanto, explicam que é justamente nesse período que ocorre o maior consumo de pasto - percentual de matéria seca em relação ao peso vivo - pelos animais e, com isso, provocando aumento no metabolismo da microbiota ruminal para a digestão e maior gasto de nutrientes. Esse fator, por si só, justifica a necessidade de se intensificar o fornecimento de minerais, evitando-se deficiências nutricionais de minerais que levam à queda de produtividade e, juntamente com o sistema imunológico deprimido, os animais ficam mais susceptíveis a doenças.

Devido à sazonalidade da produção de forragem que acontece nas pastagens do Brasil Central, ocorre uma queda na produção e também nos valores nutritivos no período seco do ano, que acaba gerando a desnutrição dos animais criados a pasto, tendo como conseqüência o baixo ganho de peso, ou mesmo sua perda nessa época, pois o consumo de forragem é freqüentemente afetado pela baixa concentração de nutrientes Nitrogênio (N), Fósforo (P), outros minerais e vitaminas e também pela deposição de carboidratos estruturais (lignina), diminuindo sua digestibilidade.

A suplementação protéica dos animais no período seco do ano eleva em torno de 35% a ingestão de matéria seca, quando comparado a animais não suplementados com proteína e proporciona menores perdas de peso. Quando usada em conjunto com mineral e energia, a resposta pode ser ainda maior e muitas vezes é possível obter ganhos relativos. Esse aumento na ingestão acontece porque a digestão dos bovinos é realizada por meio de um processo de fermentação microbiana, realizada por fungos, bactérias, protozoários e leveduras. Esse conjunto de microorganismos é chamado de microbiota ruminal.

Como exemplo de manejo correto, com baixo consumo e excelente custo benefício, Bernardes cita a propriedade Santa Inês, uma fazenda de cria de bezerros Nelore, localizada na região do sul de Minas, onde um plantel de 186 vacas Nelore, emprenhadas com touros PO, filhos de Legat, são manejadas pelo gerente Alexandre Donizete Pereira, que segue as recomendações técnicas da Matsuda, à risca. Há cinco anos ele faz a lição de casa, direitinho. Ou seja: garante que os animais tenham suplemento mineral suficiente - cerca de 170 gramas/dia - para entrarem com uma melhor condição corporal no período seco, minimizando os gastos para a mantença do escore corporal da vacada.

Segundo Alexandre Pereira, o uso de proteinados como o Phós Verão Cria tem o objetivo de fazer com que as vacas, normalmente, prenhas e em lactação, nessa época do ano, não percam peso, durante o período de transição. "Usamos esse proteinado, nessa transição do período chuvoso para o seco, por que queremos garantir a produtividade do nosso rebanho", afirma. O índice de fertilidade da Fazenda Santa Inês é superior a 85%, com bezerros desmamados aos oito meses e vendidos no mercado, para recria e engorda, com cerca de 200 quilos de média, atingindo um preço médio de R$ 350,00, variando de R$ 300, 00 para as fêmeas e R$ 400,00 para os machos.

As vacas são emprenhadas a pasto, com touros filhos de Legat, e, em função do manejo adequado que recebem de Pereira, as matrizes conseguem ultrapassar todo o período seco, com o mesmo escore corporal do período chuvoso, pois o proteinado Phós Verão Matsuda, acrescentado à pastagem, já um tanto seca, nessa época do ano, garante a otimização ruminal. As vacas pesam cerca de 600 quilos, e continuam mantendo esse peso médio, até o final da estação. "É muito importante esse trabalho de suplementação mineral da Fazenda Santa Inês, ressalta Diego, lembrando que além da própria alimentação, as vacas precisam garantir a alimentação dos seus bezerros". O técnico da Matsuda Minas enfatiza que o trabalho de manejo dessa propriedade é eficiente e deve servir de modelo de negócio para os demais produtores, que também se dedicam à cria, uma vez que os resultados alcançados, anualmente, são muito satisfatórios, o que não aconteceria se não houvesse essa atenção especial, tanto do proprietário, Francisco José Tonin, como de seu gerente, Alexandre Pereira. Os dois estão muito conscientes sobre a importância da suplementação mineral no período de transição das chuvas para as secas. Esse cuidado é indispensável para quem quer garantir metas lucrativas, no final do ano. É, também, muito vantajoso, pois quando o volumoso está ainda com um pouco de qualidade (Proteína e Energia) na transição, otimiza-se o desempenho fazendo com que essas matrizes mantenham seu escore corporal adequado até a entrada da seca, onde posteriormente será apenas mantido seu peso com suplementos mineral-proteico-energéticos de médio consumo, visando diminuir os custos e ajustar a oferta de nutrientes com as necessidades da vaca prenha e desmamada.